quarta-feira, 7 de agosto de 2019
Nº. 5719 - Prelo Real
Soneto
Não pode o amor por mais que as falas mude
exprimir quanto pesa ou quanto mede.
Se acaso a comoção concede
é tão mesquinho o tom que o desilude.
Busca no rosto a cor que mais o ajude,
magoado parecer os olhos pede,
pois quando a fala a tudo mais cede
não pode ser amor com tal virtude.
Também eu das palavras me arredeio,
também sofro do mal sem saber onde
busque a expressão maior do meu anseio.
E acaso perde, o Amor que a fala esconde
em verdade, em beleza, em doce enleio?
Olha bem os meus olhos, e responde.
António Gedeão
1901 - 1997
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