quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
Nº. 5575 - Prelo Real
Teus Olhos
Teus olhos de tão mística elegia,
resplandecente de penumbra viva,
Perdem-se em mim: do meu olhar,
A luz da mais cristã melancolia!
Possa eu viver em ti, nessa harmonia
De memorante paz meditativa;
Minha alma da tua alma se cativa,
Aspirar o teu silêncio que inebria!
Teu vulto no Ar imprime-se em deucho
De recortada flor; visões perpassam
Noturnamente nos teus olhos bruxos!
Uma fonte discorre outonos tristes;
Caem flores do céu; almas esvoaçam;
Estendo as mãos... adeus! Já não existes.
Mário Beirão
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