sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Nº. 2191 - Luta Popular


1. Já na primeira década do corrente século, uma série televisiva da BBC parodiava a celeuma entre reitores das unidades de referência, empertigando-se estes pela sua curricula, bem como pelo quadro de mestres havidos.

2. Nos meus verdes anos ficara igualmente surpreendido ao tomar conhecimento de um estudante nipónico que, pela terceira vez, se candidatara para o ingresso na Universidade de Tóquio sem êxito, posto que a sua actividade profissional demonstrasse, no sector de investigação e proficiência, grande mérito.

3. Embora o dito estudante já tivesse tido curtas passagens por universidades norte-americanas e até europeias, o seu objectivo mantinha-se na candidatura à universidade japonesa, entenda-se, à Universidade de Tóquio que não a qualquer outra universidade de ensino da capital.

4. Justificava o persistente candidato ao facto da sua origem social ser modesta; à passagem por escolas secundárias de pouca monta; ao tempo perdido em cursos de formação técnica que apenas lhe tinham permitido uma estabilidade económica, mas pouco tempo para a realização do seu projecto.

5. Segundo parece, razões culturais subsistiam porém, por pudicícia, o veterano estudante não as esclareceu, achando por bem não avançar com mais pormenores, talvez incompreensíveis para um inquisitivo europeu em aparente vilegiatura pelo seu país.

6. Sem dúvida que a aquiesçência a certas normas de procedimento, convencional ou tradicionalmente estabelecidas - tanto de fundamento religioso como político - dão azo a acrescidas dificuldades para uma harmoniosa integração social.

7. Logo, o que importa não é a competição - a luta, a concorrência, a rivalidade - mas sim uma cooperação esclarecida para a reforma da mentalidade da burguesia republicana dominante.

Nau

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