quinta-feira, 13 de julho de 2017
Nº. 2064 - Prelo Real
Riso
Tive o jeito de rir, quando menino,
Até beber as lágrimas choradas:
Com carantonhas, gestos, desatino,
Passou a nuvem e os pequenos nadas.
A rir de escuridões, de encruzilhadas,
Tornei-me afeito logo em pequenino;
Porque ri é que trago as mãos geladas,
E choro porque ri do meu destino.
Vivi mais de um mundo idealizado
Comigo só: E só de mim descreio
Entornava-me o riso a luz em cheio
Quando o meu mundo foi principiado;
Rio agora que não sei donde me veio
Sempre o mal que me trouxe o bem.
Afonso Duarte
in "Ossadas"
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