quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Nº- 6363 - Prelo Real 4/2/2021


                           Prelúdio


     A minha Poesia é uma árvore cheia de frutos
     que um sol de tragédia amadurece;
     mas eu não os arranco nem procuro:
     - o meu sol de tragédia aquece, aquece,
     e o fruto cai de maduro.

     No resto, sou empregado de escritório
     que não procura desvendar abismos,
     e passa o dia (glorioso ou inglório)
     a somar algarismos...

     A minha Poesia é uma árvore cheia de frutos
     que um sol de tragédia amadurece;

     mas eu não os arranco nem procuro:
     - sei da miséria da estrada percorrida;
     o meu sol de tragédia aquece, aquece,

     - e o fruto cai de maduro
     no chão da minha vida.

                                       Sidónio Muralha

     


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