Os olhos das crianças
Atrás dos muros altos com garrafas partidas
bem para trás das grades do silêncio imposto
as crianças de olhos de espanto e de medo transidas
as crianças vendidas alugadas perseguidas
olham os poetas com lágrimas nos olhos
mas não pedem cançonetas, mas não pedem baladas
o que elas pedem é que gritem por elas
as crianças sem livros sem ternura sem janelas
as crianças dos versos que são como pedradas
Sidónio Muralha
22/7/20 - 8/12/82
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